Colombiano se perde em Belém ao tentar encontrar namorada virtual brasileira




Agentes da PRF ajudaram o estrangeiro, que foi assaltado assim que desembarcou em Belém e chegou ao posto na BR-316 a pé.
Um colombiano se perdeu em Belém após 15 dias de viagem até o Brasil. Ele desembarcou na capital do Pará e foi assaltado. Sem celular e sem dinheiro, perambulou pela cidade até ser ajudado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Como o estrangeiro não fala português, os agentes pesquisaram sobre ele nas redes sociais. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (19), Edinson Canate Gonzalez saiu de seu país de barco para encontrar a namorada brasileira, que ele só conhecia virtualmente.
O colombiano entrou no Brasil de navio, passou duas semanas avançando pelo Rio Amazonas em direção a Manaus e, posteriormente, teria seguido de barco para Belém. Ao desembarcar, no último dia 14, ele foi assaltado quando desceu no Porto da Estação das Docas e não pode seguir viagem.
Edinson caminhou mais de 20 km até chegar ao posto da PRF, na rodovia BR-316, em Ananindeua. “Quando ele chegou, estava sujo, com fome e com febre”, relata a agente Marisol Mota. Ele apresentou seus documentos, inclusive o passaporte, que escaparam do assaltante por serem levados em uma bolsa de mão.
Redes sociais
Como o colombiano não fala português, os agentes usaram as redes sociais para confirmar a versão apresentada pelo homem. “Descobrimos que ele tinha perfil no Facebook e disponibilizamos com computador para que ele fizesse contato com a família e a namorada”, conta Marisol. Assim os policiais puderam ter uma melhor noção da situação e entender o que havia acontecido com o estrangeiro.
O destino de Edinson Gonzales era Minas Gerais. Ele veio da Colômbia para casar-se com a namorada virtual, que mora na cidade de Itabira, localizada a 109 km de Belo Horizonte. Lá, ele trabalharia como condutor de máquinas pesadas, o mesmo emprego que exercia na Colômbia.
Através do Facebook e via celular, os agentes da PRF contataram a futura esposa identificada como Simonete Brum, que era a única pessoa que ele conhecia no Brasil, e também falaram com a família do estrangeiro na Colômbia. No Facebook, verificaram que a família dele já havia feito postagem procurando-o como desparecido, informando que ele havia saído para o Brasil há duas semanas que não dava notícias. “Eles estavam bastante aflitos”, conta a agente Marisol.
Solidariedade
Os policiais buscaram primeiramente os meios formais, tentando encaminhar para outros órgãos a situação, mas não havia o que fazer pelos órgãos competentes e as formalidades via embaixada da Colômbia ou representação que não há em Belém, poderia demorar dias, pois não havia nenhuma ilegalidade contra o cidadão estrangeiro e o que ele precisava mesmo era de dinheiro para chegar ao seu destino.
“Não tem consulado da Colômbia em Belém e a Polícia Federal não teve como ajudar porque a situação do Edinson estava legal”, conta Marisol. “O que ele precisava mesmo era de dinheiro para seguir sua viagem até Minas Gerais, e foi por isso que fizemos uma vaquinha para comprar a passagem”, conta.
O colombiano recebeu remédio, tomou banho e dormiu no posto da PRF. Após entrar em contato com a família e com a namorada, os agentes orientaram o colombiano e ele embarcou, na última sexta-feira (16) para Belo Horizonte.
“Demos um celular e um chip para que ele pudesse se comunicar com a namorada e não se perdesse novamente, já que o ônibus só levaria até Belo Horizonte, a mais de 100 km de Itibiara, onde mora a noiva”, relata Marisol. “Não é a primeira vez que estrangeiros procuram o nossos posto. Na medida do possível, a gente vai ajudando. Ano passado, teve a historia de um francês. O posto da PRF é visto como porto seguro”, diz Marisol. “O nosso lado humano nos faz ajudar”.
'Presente de Deus'
Edinson encontrou Simonete no domingo (18) e eles estão morando juntos. A brasileira conta que a história de amor passou por muitos altos e baixos até ter um encontro feliz. "Quando ele não conseguiu mais contato comigo, eu passei muito mal. me senti culpada, fiqquei achando até que ele tinha caído no rio", diz.
Ela conta que eles se conheceram pela internet e conversam há mais de um ano. Eles perderam contato após o assalto em Belém e Simonete só teve notícias quando um agente da PRF ele telefonou. "Passei dias sem dormir, me sentindo mal, com falta de ar, dor de cabeça. Até remédio pra depressão eu tomei, foi muito difícil", relata.
Simonete conta que pediu a sua filha, que mora em Belo Horizonte, para esperar por Edinson na rodoviária. Chegando lá, ela foi informada que não havia nenhum ônibus vindo de Belém. "Chorei muito e desisti da nossa história por alguns segundos, perdi a fé. Foi quando um homem me ligou e pediu pra eu esperar. Edsino já estava na minha cidade!", diz. Edinson pediu um telefone emrpestado e entrou em contato, já que teve dificuldades de usar o telefone do Pará em Minas Gerais.
"Eu ainda estava de pijama. De arrumei o mais rápido e fui correndo. Quando eu cheguei na rodoviária e vi ele, não aguentei. Foi muito bonito. Ele é um presente de Deus", diz. "Estamos muito bem, fiz um pato pra ele no almoço. A família dele já está sabendo que está tudo resolvido. Agora é construir nosso futuro", comemora.

Texto/Fonte: Tiago Boiago